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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Enquanto isso, na Alemanha...o Natal foi branco!

 

 

                                                                                        


Paris, França

Salut, meu nome é Roselisa. Muitos me chamam de Deísa. Sou brasileira e atualmente moro em Paris. Gosto de escrever, de fotografia, viagem, cinema e cultura. Aqui é o meu espaço onde falo de tudo um pouco.

  

 

Enquanto isso, na Alemanha...o Natal foi branco!

 


Para evitar acabar sozinha no meio da praça, olhando uma estrela no céu (caso estivesse nublado, nem isso conseguiria ver), falando com estranhos (perigoso, depois de certa hora da noite) aceitei o convite de uma grande amiga que não via há tempos para passar o Natal com sua família e parti de Paris de trem, a bordo do Thalys para Colônia, Alemanha, onde ela me buscou. No caminho, o trem fez parada na Bélgica - Bruxelas, Liège (sim, onde houve a matança em plena praça do mercado, recentemente) e Aix-la-Chapelle, chamada de Aachen pelos alemães. Quanto mais me aproximava do meu destino, pensei que em apenas três horas, cruzei pelo menos dois países, chegando a um terceiro, o que no Brasil, dá mal a distância de uma ou duas cidades, num só Estado. Pensei ainda em como o exército alemão se deslocou Europa afora, invadindo países vizinhos...Bem, isso é pensamento demais para uma viagem só e uma reflexão tão profunda, vai ter que ficar para um outro momento. "Armada até os dentes" para enfrentar o frio glacial que se avizinhava, desembarquei estupefata ao encontrar um país tão rico e bonito, tão limpo, e ordeiro. Em uma semana, engordei, mesmo, uns dois quilos, por me recusar a recusar qualquer coisa gostosa e diferente da culinária local que me passou pela frente, incluindo as suas deliciosas cervejas, märzen, starkbier, bockbier e doppelbock e vinho quente, Glühwein, temperado com ervas e especiarias. Sim, tá ali um lugar onde o porco é rei, o que deve ser um sofrimento (ou foi, literalmente), para Judeus e Muçulmanos e outras linhas que recusam comer “focinho baixo”. Eu, como sou uma mistura, evoluída (?) de Judeus Novos (Pereira) e dos Mouros (Mourão), já superei os malefícios da ingestão daquela carne rosada e saborosa. Do porco, come-se tudo e de todas as maneiras. Einsbein, joelho de porco defumado, acompanhado de kartoffel (batatas) e Sauerkrout (repolho azedo), uma delícia! São 1.500 tipos de salsichas diferentes, mas confesso que não provei mais que dois ou três, acompanhadas de mostarda, afinal, não sou de ferro. Ao lado, posto fotos do que vi e provei. Do cenário nevado, pequenos flagrantes de um momento especial. Pela proximidade do lar de Santa Klaus, mais ao Norte, encontrei tradições natalinas ainda mais fortes do que na França, tal como o esmero na decoração das casas, dentro e fora, nas ruas. Eles vivem de fato o Advento, período que antecede ao Natal. Menos comércio e mais bandas de música tocando canções natalinas. Fui até a um concerto de Natal de uma escola da cidade e uma missa na Igreja Luterana, cantada por um coral da comunidade – cantei facilmente em alemão, com a ajuda de um telão à esquerda do altar, onde a letra da canção era mostrada – boa sugestão para as Igrejas Católicas que adotam, a cada semana, novas canções, que ninguém, à exceção dos habitués, consegue cantar, de autoria de algum Padre-Cantor-Megastar (no meu tempo, ‘deglutimos’ o Padre Zézinho, que inovou no gênero). Descobri que na Região, muitas famílias, ao contrário do que sempre fiz, copiando meus modelos, deixam para armar suas árvores na véspera do Natal, num ritual que envolve pais e filhos, à noite, tudo regado às bebidas e comidas da estação. A casa fica pronta antes, as portas decoradas com as guirlandas (símbolo ligado ao Advento), mas a árvore espera (Oh Tannenbaum)- acho que tem lógica, pois as deles, são vivas, cortadas especialmente para o evento. Além disso, a ideia é seja uma antecipação, de verdade. Eles as decoram com bolas que têm significação especial - compradas, uma a uma, em momentos diferentes, viagens, de locais sugestivos, relíquias guardadas de herança das famílias. Elas contêm enfeites relacionados aos símbolos culturais locais ou nacionais, como bolinhos (Plätzchen), que devem ser comidos no dia 06 de Janeiro, o dia da Festa de Reis. Neste dia, como me foi relatado, as crianças saem pelas casas da vizinhança, para ganhar suas guloseimas. Esta tradição foi, por motivos que desconheço (se alguém puder contribuir que o faça), copiada pelo chatíssimo Halloween americano, em pleno 30 de Outubro. Há certamente, na estética belíssima das árvores decoradas, algo mais, que apenas serem belas. Sei que de onde venho, decoradores são chamados para decorar as árvores de algumas residências mais afortunadas – as demais, apenas distribuem bolas e enfeites made in China sem nenhuma outra intenção especial. Nada contra. Mas entendi que a simbologia é outra. É a tal estória de copiar a tradição, sem compreender seu sentido, que é fazer com que a árvore simbolize a história da família. P.S. Antes de ir à Alemanha, eu já pendurava nas minhas árvores, enfeites feitos por minhas filhas, quando crianças, trecos velhos, baratos, comprados nesse ou naquele mercado, num determinado momento. O resultado sempre nos agradou, mas certamente, seria condenado de cara por um decorador profissional. Intuição. De volta à Kierspe, descobri que ali, não tem pisca-pisca! Luzinhas pequenas, brancas, raramente vermelhas, mas não piscam! Gostaria de saber quem foi mesmo que teve a ideia de introduzir no mercado, para que consumíssemos loucamente, as tais luzinhas que devem tirar o sono dos neurocientistas (e o nosso), que alegam que o cérebro sofre com o ritmo acelerado da luz (e som). Hora de rever se o excesso em algumas casas não leva a enxaquecas ou até derrames, quem sabe? Acho que talvez a ideia fosse recriar o ambiente onde a neblina espessa faz com as luzinhas “pisquem”...pura conjectura minha, mas, c’est pas idiot., como dizem os franceses. Percebi que a Alemanha é, de fato, uma grande potência e por isso, está conseguindo sobreviver ao caos geral em que se encontra a Europa. Mas isso não veio por acaso. Com a reunificação das duas Alemanhas, na década de 1990, a Bundersrepublik recorreu a empréstimos internacionais altíssimos, enfrentou anos sombrios, mas segundo o projeto da era Köhl (Helmut), manteve sua produção no país, na contramão da Europa em geral, que praticou a délocalisation, a transferência da produção aos países onde a mão de obra era mais barata (e a que custo!), como China, Índia e países do Leste europeu. O resultado é que hoje, a indústria alemã é pungente e altamente especializada, produz para o país e exporta o excedente, exatamente como na Teoria de Ricardo, a das vantagens competitivas. Naturalmente e por ter investido na sobrevivência da indústria nacional e na qualificação da sua mão de obra, operário tem emprego, renda alta, oportunidade, mobilidade e sabe trabalhar, porque foi treinado para isso. Tudo lá é mais barato do que na França, desde roupas, à comida, cerveja, tudo.  Limpíssima, ruas, estradas. Todo mundo tem carro e que carros - Mercedes-Benz (Daimler), BMW’s, Audi’s, Volkswagen’s - este ano a produção foi recorde, segundo a Deutsche Welle – www.dw-world.de, que voam pelas estradas, sem, no entanto, a conotação dada a eles em outros centros – lá são a qualidade e confiabilidade que falam mais alto. Vi poucas motocicletas, no máximo e raramente, motonetas (Motocicleta em excesso é, pois, sinal de subdesenvolvimento, como acontece em Teresina!). Segundo verificado, os custos das taxas de licenciamento e seguros de veículos de duas rodas os tornam quase proibitivos (ideia a ser copiada?). Além disso, o Governo não suporta ter que tratar dos acidentados, que quase sempre, ficam seqüelados e caem no sistema de seguridade social (observe-se o que ocorre numa noite de sábado, no HUT). Enfim, viajar tem um algo mais a ser apreendido, que simplesmente irmos de um lugar para o outro e tirarmos fotografias. Sugiro aos nossos políticos, Municipais, Estaduais e Federais, que ao viajar para o Exterior, em viagens oficiais, aproveitem o ensejo para aprender, apenas observando e buscando as explicações para o que vêm e não para se refastelar na gastança com canetas Mont Blanc, camisas Lacoste e Scotch escocês, enquanto suas mulheres adquirem os últimos modelos de óculos Dior e mais umas bolsinhas Louis Vuitton. Nada contra, desde que fizessem algo mais pelo povo que paga pelas tais viagens (Quem sabe, valia olhar mesmo quando viajam de férias?). Merecemos ser administrados por quem consegue enxergar longe, buscar num simples olhar sobre uma cidade bem traçada, soluções de desenhos de trânsito, de recolhimento de lixo, planejamentos de calçadas, acessibilidade, por exemplo. O que dá para perceber numa viagem a um país realmente desenvolvido, é que nem tudo é dinheiro. Ao contrário – nossas obras públicas estão dentre as mais caras do mundo, acho que só Dubai supera. O que se vê de sobra, é sobriedade, responsabilidade, compromisso com o bem estar dos cidadãos. Aos meus amigos anfitriões perfeitos, Pixuta e Herbi Wolf, obrigada pelo Fröhe Weihnachten, meu, afinal, lindo Natal. À Alemanha, parabéns por sua competência. Apesar do que já viveu ao longo de sua sofrida história há pouco mais de sessenta anos, dá gosto ver como se superaram. E aí, vamos viajar? Sugiro a Alemanha na próxima parada. Auf wiedersehen!